segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Sobre valer a pena ser honesto...

 ESTÁ ERRADO DIZER QUE OS HONESTOS SAEM PERDENDO

    Há muito tempo, ouve-se dizer que as pessoas honestas saem perdendo. Refletindo profundamente, acredito que essas palavras influenciam negativamente as pessoas. Não haveria o que fazer se isso fosse mesmo verdade; porém, pela minha experiência, garanto que essas palavras não correspondem absolutamente à realidade. Senão, vejamos.

    Quando observamos atentamente a sociedade, notamos que existem duas maneiras de ver as coisas: a curto e a longo prazo. Em geral, as pessoas tendem a julgar o bem ou o mal baseados em resultados de curto prazo. Por exemplo, ao verem o sucesso momentâneo obtido por pessoas desonestas, que enganam o próximo ou vendem gato por lebre, ficam iludidas e definem que os honestos saem perdendo. Todavia, é preciso que tais coisas sejam vistas a um prazo mais longo, pois, inevitavelmente, a farsa virá à tona, e aquelas pessoas passarão por humilhações, podendo-se até afirmar que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda que por um momento os honestos sejam mal interpretados, prejudicados ou colocados em posição desvantajosa, com o passar do tempo, infalivelmente a verdade será esclarecida, e isso será determinante. Vou contar minha experiência a esse respeito.

    É constrangedor falar de mim mesmo, mas desde jovem, sou muito honesto. Não consigo mentir de maneira alguma. Por esse motivo, sempre me diziam: “Um rapaz honesto como você nunca vai alcançar o sucesso. Se você não mudar seu pensamento e não for hábil em mentir, dificilmente será bem-sucedido na vida.” Achando que eram palavras sensatas, empenhei-me para mentir durante algum tempo, mas não me sentia bem. Era tomado por uma angústia insuportável, minha vida se tornava sombria e meus dias eram infelizes. Não havia, pois, condição para eu obter bons resultados em meus empreendimentos. Naquela época, eu era comerciante, de modo que as táticas de negociação e as mentiras deveriam trazer-me muitas vantagens. Todavia, eu não conseguia me sair bem e acabei decidindo voltar à honestidade, traço natural de meu caráter. O interessante é que, depois disso, os resultados começaram a ser melhores do que eu esperava. Em primeiro lugar, alcancei maior credibilidade no mundo dos negócios, tudo passou a se processar num ritmo excelente e, por algum tempo, consegui um patrimônio considerável. Assim, deixei-me levar pela empolgação e dei um passo maior que a perna. Nessa situação, quando me deparei com a crise do setor financeiro, sofri uma derrocada a ponto de não conseguir mais recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar a vida religiosa.

    Desde que decidi voltar aos princípios da honestidade, até hoje, continuo seguindo esse caminho. Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um período relativamente longo, houve ocasiões em que fui mal interpretado, criticado, perseguido. Enfrentei caminhos tortuosos e espinhosos, mas nunca deixei de ter a confiança das pessoas, o que ainda atribuo, com toda convicção, à minha honestidade.

    Parece que os homens contemporâneos possuem uma visão a curto prazo e uma tendência a se deixar encantar pelos resultados momentâneos. É, pois, necessário que, diante de qualquer situação, se observem os fatos com uma visão a longo prazo. Isso é válido para todas as circunstâncias. Exemplifiquemos. Há políticos que, almejando conseguir o poder a curto prazo, forçam a situação. É o mesmo que colher um caqui ainda verde, não esperando que ele amadureça e caia, e ficar frustrado com a sua cica. Existe um ditado que diz: “Os políticos de grande envergadura pensam em termos de cem anos, os de média, em termos de dez anos, e os de pequena envergadura, em termos de um ano.” É exatamente assim. Infelizmente, hoje em dia, parece que o número de políticos de pequena envergadura é bem maior.

    A mesma lógica se aplica ao cultivo agrícola livre de adubos¹, que eu preconizo. Vemos que a agricultura praticada até hoje apresenta, temporariamente, bons resultados com o uso de adubos sintéticos e esterco, mas estes matam a terra e, por isso, ela está se tornando cada vez mais improdutiva. Sem perceber isso, as pessoas mostram-se fascinadas diante do êxito ocasional obtido com o adubo. Por fim, tanto a terra como o ser humano ficam intoxicados.

    Tal raciocínio também é válido para a medicina atual. Durante um período, o tratamento realizado com medicamentos e equipamentos apresenta-se eficaz. No entanto, com o passar do tempo, ocorrem efeitos contrários, e o estado de saúde piora. Por terem ficado deslumbradas com o resultado momentâneo do início do tratamento, as pessoas voltam a utilizar os mesmos métodos e, em vista disso, a situação se agrava cada vez mais.

    Através desses exemplos, meu objetivo foi chamar atenção para as consequências da visão a curto e a longo prazo, à qual me referi inicialmente.

Por Meishu-sama,
em 20 de abril de 1949 

(Retirado do livro Alicerce do Paraíso, volume 1, da editora IMMB)



¹ Cultivo agrícola livre de adubos: Outro nome utilizado por Meishu-Sama para Agricultura Natural Messiânica.


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